No Conto Do Vigário...


Pensei que ela seria meu estandarte,

eu há via como a mais inteligente,

nada disso aconteceu...

Perdi o meu amor,

o tambor indígena não mais tocou,

meu amor se foi...


Fazia tudo por ela,

mas vi que ela não é boa de panela,

resolvi deixá-la...

Num ritmo alucinado,

ela me colocou de lado,

deixei de ser seu namorado...

 

Mas não faz mal não,

sou ravengar,

tenho truque nas mangas...

Outra mulher vou procurar,

meu coração vai apaziguar,

e a danada antiga velha também vai ficar... 

 

Lembrarás de mim,

do meu carinho

outro igual não vai achar...

Desprezado fui,

fui também buscar outro amor,

não soube dar o devido valor...

 

Agora está sorrindo,

pensando que optou pelo melhor,

mas não consegue me encarar...

Velhos tempos,

velho homem de espírito jovem,

com idade valorizada...

 

Minha namorada me abandonou,

esgotou sua vivacidade,

pena que foi em tão pouca idade...

Assim não dá,

ela é uma vivaldinha,

menina malandrinha...

 

Tolos e indisciplinados

na vanguarda a espera

por aquilo que nunca encontrou...

Esqueceu que o gosto

é passageiro e depois

deve retornar ao ninho do verdadeiro amor...

 

Trocou amor por paixões,

esqueceu que tudo é transição,

ela agora é uma palhaça da corte...

Corteja na beleza,

mas não sente o sentimento,

pensa que a vida é somente sensações...

 

Por causa das sensações,

esqueceu meus sentimentos,

foram os mais verdadeiros...

No tempero das emoções

vale ainda a voz da experiência

senão a vida fica sem sabor...

 

Ganhou uma causa na teimosia,

não foi opção madura,

foi sim ímpeto da juventude...

Caí no conto do vigário,

tentou passar a perna em mim,

sofri e ganhei a liberdade de você...

Essa sua tal liberdade,

não consegue nem fazer boa amizade

e longe de mim deve ficar...

(Carlos Basanella)

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