Setembro Mês Da Bíblia
Pe. Lucas de Paula Almeida, CM

Por quê Setembro é o mês da Bíblia?

Por causa do aniversariante São Jerônimo, dia 30 de setembro,
autor no Século IV da tradução latina da Bíblia,
e grande estudioso e apaixonado pela Sagrada escritura. 
Chegou Setembro anunciando a chegada da primavera, cheia de vida e de flores.
E Setembro traz para a Igreja a celebração do mês da Bíblia,
essa Bíblia que é toda ela um jardim florido com as flores de Deus.
Desde a majestosa simplicidade da História dos Primórdios nos primeiros capítulos do Gênesis,
a vocação de Abraão, a era dos patriarcas, o Êxodo, dominado pela figura empolgante de Moisés,
e a grande gesta do deserto, das maravilhas de Deus, da Aliança do Sinai.
Depois, os juizes e os reis, com as figuras inexcedíveis de Davi e Salomão.
E a divisão do povo em dois reinos: O de Judá e de Israel.
O Exílio na Babilônia e a volta e a recomposição.
Tudo isso iluminado pela Palavra dos profetas, que iam mostrando o sentido das coisas
de Deus para além das vicissitudes das guerras e do domínio da terra.
E tudo cantado em canções de louvor, de súplica e às vezes de dor e contrição.
São os Salmos, cuja poesia não é superada por nenhuma poesia humana.
       Depois vem o Novo Testamento, quando Deus,
 "depois de ter falado mil vezes e de diversos modos aos Pais pelos profetas,
 falou definitivamente no filho a quem constituiu herdeiro de todas as coisas
e pelo qual fez os séculos" (Hb 1,1s).
Nada mais sábio nem mais santo do que o livro do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo,
nas quatro redações dos sinóticos e de São João,
continuando depois como que num eco de vida e de eficácia no Livro dos Atos dos Apóstolos
e nas cartas de São Paulo e de outros apóstolos, terminando com o Apocalipse,
 que é um cântico de vitória e de esperança.
Na Bíblia, Deus nos revela através de palavras e de acontecimentos intimamente entrelaçados,
de tal sorte que as obras ajudam a manifestar e confirmar os ensinamentos
e realidades significadas pelas palavras; e estas, por sua vez,
proclamam as obras e elucidam o mistério nelas contido (cfr DV 2/162).
E Deus se serve de autores humanos, por Ele inspirados e de linguagem humana
e até dos gêneros literários usados em cada época para nos manifestar a sua verdade.
É o que São João Crisóstomo chamou de "Divina Condescendência".
Deus desce até nós. Fica perto de nós. A Bíblia mais do que um livro,
se poderia dizer uma carta cheia de ternura de um pai que se comunica com seus filhos.
A Igreja - como nem poderia deixar de ser - tem a maior estima com a Bíblia .
E nela "escuta religiosamente a palavra de Deus, santamente a guarda e fielmente a expõe"
(Ibid. 10/176). E, para que realmente possa ser fiel a sua exposição da palavra de
Deus ao seu povo, encoraja e oriente uma multidão de estudiosos, de peritos e de exegetas,
 que nos ajudam a entender bem hoje de livros que foram escritos há tantos séculos
e traduzidos e transcritos em infinitas cópias.
Esses  homens doutos realizam como que um trabalho preparatório para que possa
amadurecer convenientemente o julgamento da Igreja.
Eles tem consciência de que a Sagrada Escritura deve ser lida
e interpretada naquele mesmo Espírito em que foi escrita e, 
para isso, tem presente o conteúdo e a unidade de toda a Escritura,
levando em conta a tradição viva da Igreja e a analogia da fé.
O Mês da Bíblia há de nos ajudar a nos familiarizarmos sempre mais com
o texto sagrado, não só pela leitura que deles se faz na liturgia,
mas em nossas leituras e meditações pessoais ou nos círculos Bíblicos e grupos
de reflexão que hoje fazem crescer tanto a Igreja, alimentada com a Palavra de Deus.
E seria muito importante nos lembrarmos de que o Espírito não só inspirou os autores sagrados
para que escrevessem os livros, mas continua de algum modo misterioso a inspirar a Igreja e os fiéis,
quando lemos esses livros. Por isso mesmo,
não se lê a Sagrada Escritura apenas por uma curiosidade científica ou para deleite estético.
É um falar com Deus. Lembramo-nos de que assim se estabelece colóquio entre Deus e o homem,
uma vez que " A Ele falamos quando rezamos e a Ele ouvimos quando lemos os divinos oráculos"
(Santo Ambrósio , apud DV 25/196).

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